Análise das questões do desporto e, em especial do futebol, feita por António Castro, agora mais distante dos centros de decisão, ao contrário do que aconteceu durante 40 anos ao serviço do extinto «Mundo Desportivo» e do «Diário de Notícias»

Sexta-feira, 6 de Abril de 2012
Uma voz no deserto

José Leonardo Nuno Alves Sousa Jardim, nascido na Venezuela (Barcelona) em 1 de Agosto e 1974 (37 anos), tem um passado pouco conhecido e, apesar de algumas revelações prematuras sobre o seu futuro, mantém-se alheio a polémicas.

Filho de emigrantes, com dupla nacionalidade (Portugal e Venezuela), passou a viver muito novo na Madeira com a família. O historial de treinador começa como adjunto no Câmara de Lobos (1999/2000) e no Camacha (2001/2003). Assume a responsabilidade total da equipa até 2008, altura em que aparece no Chaves e no Beira Mar durante época e meia, já que em 8 de Fevereiro de 2011 rescinde contrato e volta à Madeira.

Nessa altura surgiram notícias sempre desmentidas que o FC Porto tinha opção sobre o técnico e poderia proporcionar-lhe a transferência temporária para o Braga, em substituição de Domingos Paciência. Agora, especula-se que será o substituto de Vítor Pereira no Dragão, qualquer que seja o percurso da equipa no campeonato. Uma carreira cheia de "desmentidos-confirmações", pelo que é legítimo admitir que surja dentro de algum tempo caso idêntico.

Apresentação sucinta de um treinador na ribalta, dado o Braga estar a discutir o título com FC Porto e Benfica, em vesperas de visita ao Dragão. E foi na conferência de apresentação deste encontro que mais uma vez o treinador dos minhotos mostrou uma visão dos acontecimento diferente do habitual ao explicar o facto de não  falar sobre arbitragens: «Primeiro, porque o treinador deve é treinar a sua equipa; segundo, porque tenho muito respeito pelos adeptos, acho que são muito inteligentes e não vale a pena ser hipócrita e quando se ganha dizer que foi uma excelente arbitragem e quando se perde dizer que o árbitro esteve muito mal. Se estou a falar sobre Jorge Jesus? Refiro-me a todos que falam sobre as arbitragens e têm dualidade de critérios quando se referem aos lances.»

Linguagem desta não é usual no mundo do futebol, seja em Portugal ou a nível internacional. Leonardo Jardim surge, neste momento, como uma avis rara.



publicado por António Castro às 22:26
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Sexta-feira, 30 de Abril de 2010
Itália não dá valor ao puritanismo

Nos últimos dias, o nome de José Mourinho surge em tudo que é jornais, sites e blogues, com os comentários mais diversos - elogios não faltam e também sobram os insultos - sobre a polémica táctica utilizadapara eliminar o poderoso Barcelona.

Muita gente já esqueceu - ou não tem memória - que no futebol italiano, desde os tempos do «mago» Helénio Herrera fez escola o célebre catenaccio, interpretado por jogadores admirados em todo o mundo e que, conjugado com a astúcia de certos avançados, conduziu a inesperadas vitórias.

O Mundial de Espanha (92) foi um dos exemplos. A selecção do Brasil, treinada por Telé Santana, praticava um futebol de encantar, graças a jogadores com a classe dos médios Zico, Falcão e Sócrates, e ainda de Éder, Dirceu, Junior e Cerezo. A Itália orientada por Enzo Bearzot, não conseguiu ganhar qualquer jogo da primeira fase e apareceu na Catalunha destinada a ser o «bombo da festa» numa segunda fase que incluía os canarinhos e a Argentina de Maradona.

Puro engano. O conjunto que tinha como pedras basilares o guarda-redes Buffon, os defesas Baresi (actual adjunto de Mourinho), o rápido e tecnicista extremo Conti e os sagazes Altobelli e, em especial, Paolo Rossi começou, por derrotar a Argentina (2-1), que também perdeu com os brasileiros (3-1). E quando nas ramblas os brasileiros festejavam por antecipação o apuramento, aconteceu a chamada «tragédia de Sarriá» (recinto do Espanhol).

Os italianos ainda deram hipóteses a Sócrates e Falcão de marcar, mas a tradicional astúcia transalpina teve plena expressão nos três golos apontados por Rossi, a grande sensação do campeonato. Depois caíram a Polónia e a Alemanha.

Recordar estes dias vividos em Barcelona, entre Sarriá e Nou Camp, até à final de Madrid, tem por objectivo salientar que o futebol transalpino ainda mantém certa fidelidade à cultura do passado, embora assente num conceito nem sempre praticado por Helénio Herrera («em futebol é a surpresa, a velocidade, e variações inesperadas que abrem os caminhos do golo»). Um técnico que venceu três campeonatos de Itália, duas Taças dos Campeões e duas Taças Intercontinentais, precisamente ao serviço do Inter.

O caminho possível de José Mourinho perante o possante Barça não poderia desviar-se muito daqueles princípios, sob pena de ser humilhado pelo adversário e triturado num país - recorde-se - já campeão do mundo quatro vezes (1934, 1938, 1982 e 2006) e finalista vencido em duas, ambas com o Brasil (1994 e 1970).

Talvez assim se percebam melhor os elogios do seu presidente Massimo Moratti e do conceituado treinador Alex Fergusson.

 

 

 

 



publicado por António Castro às 23:50
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