Análise das questões do desporto e, em especial do futebol, feita por António Castro, agora mais distante dos centros de decisão, ao contrário do que aconteceu durante 40 anos ao serviço do extinto «Mundo Desportivo» e do «Diário de Notícias»
Terça-feira, 30 de Novembro de 2010
Clubes devedores na mira da Liga

A viragem impunha-se há bastantes anos, mas quem tinha mandato para se preocupar com a progressiva falência dos clubes fazia de conta que nada de anormal se passava.

Antes do País cair em crise - porventura das mais graves da sua história - já o futebol português caminhava para o abismo, onde já estão alguns clubes, cuja história caiu ingloriamente no esquecimento.

Desde há muito pouco tempo, atendendo às dimensões do problema, algumas consciências despertaram e iniciaram tímida regulamentação para colocar um travão aos desmandos de muitos anos.

Tarde de mais, no entanto, para evitar que se sucedam notícias desagradáveis.

A Leiriasport, gestora do Estádio de Leiria, anuncia que pensa penhorar os passes dos jogadores da União, por falta de cumprimento do acordo estabelecido no início da época com o clube, que chegou a ameaçar «transferir» os jogos para Torres Novas.

O Beira-Mar anunciou há dias não ter 40 mil euros para organizar o jogo com o Benfica no Estádio Mário Duarte. À última hora, os actuais dirigentes arranjaram 279 mil euros para entregar a seus antecessores que tinham penhorado as receitas em 600 mil euros.

Agora surge a Liga a lembrar os clubes que serão punidos com a perda de três pontos se não fizerem prova, até ao dia 15 de Dezembro, do pagamento de salários aos jogadores, desde 31 de Maio a 10 de Novembro. E tornam-se mais difíceis acordos secretos, pois em alternativa a outros documentos oficiais, quem assinar em recibo sem receber, arrisca-se a dizer adeus ao dinheiro.

União de Leiria, Beira-Mar - e quantos mais? - a caminho da extinção.



publicado por António Castro às 23:10
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Segunda-feira, 29 de Novembro de 2010
Mourinho «apático» em Barcelona

Cristiano Ronaldo falou de mais. Cristiano Ronaldo jogou de menos. O Barcelona jogou de mais. O Real Madrid  passou por Nou Camp.

Explicados os 5-0, numa demonstração espectacular do tiki-taka catalão, quando o adversário deixa e os jogadores de Pep Guardiola atingem a expressão máxima da eficácia.

Não há adjectivos que sobrem para definir aquilo que se passou no relvado, mesmo que seja visto através de imagens televisivas. Na expressão do merengue Iker Casillas entre os postes estava estampado a surpresa pelo bailado que decorria à sua frente e a angústia pela incapacidade dos colegas em acompanhar semelhante andamento.

Até o indomável José Mourinho estava calmamente sentado no local destinado aos treinadores, olhar sombrio, rosto entre as mãos, apenas à espera que chegasse a última cena daquele filme de «terror».

Disse no final, em declarações que sobressaem por invulgar humildade, que fora «a derrota mais fácil de digerir». Duvidamos que tal tenha acontecido, mas deixamos à análise dos interessados a interpretação das suas palavras.



publicado por António Castro às 23:48
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Domingo, 28 de Novembro de 2010
Jesus engasga-se com «pastilha» da TVI

O Benfica conseguiu, em Aveiro, libertar-se do fantasma de Israel. Ganhou ao Beira-Mar e tudo começou com um tento de grande penalidade, obtido em altura crucial do jogo: no minuto final da primeira parte. Até aí evidenciou ter superiores argumentos do que o adversário, mas o técnico aveirense montou uma «teia» à frente do seu guarda-redes a impedir os encarnados de desenvolver uma manobra lúcida e eficiente.

O paraguaio Cardozo, no entanto, acabou por ser o «abono de família» - ainda sem as deduções decretadas pelo Governo - da equipa ao marcar mais um golo de excelente execução e uma assistência para Saviola dar o golpe fatal no jogo.

Consequência, não propriamente, de melhoria substancial de rendimento, mas das liberdades consentidas pela decisão de Leornardo Jardim ter feito alterações para chegar com mais facilidade à baliza de Roberto, iniciativa que abriu comprometedoras brechas na defensiva lisboeta mas apenas rendeu o golo final.

Jorge Jesus considerou que o Benfica, salvo em reduzido tempo de jogo, voltou aos bons tempos da época passada, numa manifestação de optimismo para «adepto acreditar». A sensação é que nada está consolidado no actual conjunto e o próprio profere estas palavras para atenuar o seu próprio nervosismo.

Caso contrário, tinha discernimento para contornar a pergunta do jornalista da TVI quando questionado sobre o ambiente no balneário da Luz, e não abandonava intempestivamente o diálogo. Nos últimos tempos, Jorge engasga-se demasiado com certas pastilhas...

 

 



publicado por António Castro às 21:57
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Sábado, 27 de Novembro de 2010
Tudo perdido e poucos achados

Sporting não ganhou nada, apenas pode ter perdido pontos em relação aos adversários mais próximos da classificação.

FC Porto nada ganhou em Alvalade e poderá ter perdido dois míseros pontinhos - atendendo à grande vantagem na liderança - para alguns perseguidores.

O confronto deixou, no entanto, algumas indicações. As negativas reportam-se ao FC Porto, que tem um treinador demasiado nervoso quando as coisas não correm de acordo com a sua ambição de vencedor, e foi novamente expulso. Nisto terá aprendido alguma coisa com José Mourinho. Por outro lado, percebe-se que frente a uma estratégia montada para anular os seus pontos fortes os portistas sentem dificuldades em se afirmar e entram inesperadamente numa toada intranquila.

Ilações positivas e, simultaneamente, comprometedoras. Os jogadores e o treinador Paulo Sérgio demonstraram ter argumentos para não se arrastarem ao longo das semanas pelos relvados portugueses quando actuam com equipas de menores capacidades. Algo está errado quando isto acontece face ao rendimento da primeira parte, tal como é difícil de aceitar as facilidades concedidas aos dragões depois do intervalo. O Sporting terá perdido a melhor oportunidade de acabar com a invencibilidades dos rivais.

Nota final para as forças de segurança, incapazes de controlar a entrada no estádio de maçãs e petardos. Evitar os assobios a João Moutinho é que estavam fora do seu alcance.

 



publicado por António Castro às 23:52
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Sexta-feira, 26 de Novembro de 2010
Aveiro «ofusca» Alvalade

O Sporting-FC Porto já foi um clássico importante do futebol indígena. Agora está banalizado, e esta temporada, para desgosto das gentes de Alvalade, apenas tem como interesse não ficar mais distante da equipa de André Villas-Boas e, pior do que isso, não deixar que Braga ou Guimarães se apropriem do antigo estatuto leonino de lutar pelo título.

Neste momento, e apesar das palavras de confiança de Paulo Sérgio - lógicas para galvanizar os jogadores - o interesse do confronto rivaliza com um Beira-Mar-Benfica, não pela expectativa de um um bom espectáculo de futebol, mas para avaliar até que ponto será Jorge Jesus capaz de unir os seus jogadores em torno do mesmo objectivo e evitar mais apoiantes do seu despedimento.

Na verdade, pouco se pode esperar de surpreendente na luta entre leões e dragões, quando o tema de todas as conversas incidem no regresso de João Moutinho com a camisola azul-e-branca e em novas manifestações de falta de civismo, a obrigar a reforço de forças policiais.

Sábias são as palavras de Paulo Sérgio quando se distancia desse fait-divers - «não faço parte de qualquer comissão de boas-vindas» -, e recusa-se a abordar assuntos que remontam a tempos em que trabalhava noutras paragens.

O Sporting há anos perdeu o contacto com as vitórias, e eventual resultado positivo sobre os portistas não compensa das penosas exibições dos últimos meses e que levaram à saída de Paulo Bento e não prolongamento do contrato com Carlos Carvalhal.

Paulo Sérgio não pode fazer muito mais e lembrou ser normal eventual chicotada, pois acontece a todos, até aos mais conceituados técnicos.



publicado por António Castro às 23:36
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Jesus na corda bamba

«É só fumaça!» Frase que ficou célebre na política há alguns anos e mais uma vez parece não corresponder à realidade.

O rescaldo da derrota do Benfica em Israel revelou situações inesperadas, embora não sejam tão surpreendentes como se possa pensar. Quando, há dias, Luís Filipe Vieira anunciou o apoio a Jorge Jesus, recordei uma frase do falecido técnico Joaquim Meirim: «Um voto de confiança é a antecâmara do despedimento».

Aparecem notícias, entretanto, a denunciar descontentamento dos jogadores com certas atitudes do técnico, seja no relacionamento (David Luíz), discordâncias por algumas opções tácticas e sucessivas alterações no onze titular.

Talvez corresponda melhor à realidade recorrermos à sabedoria popular - não há fumo sem fogo.

Nao se pode fazer interpretação diferente das declarações do presidente da Luz na edição de hoje do jornal do clube, transcritas em parte no site de A Bola. «Parece-me que este será o plantel até ao final da época... Temos o plantel que ele pediu.»

Agora, Luís Filipe Vieira confirma haver «diferenças» com o técnico, mas ressalvou: «Não tenho qualquer má relação com Jorge Jesus... Agora, na forma de viver, de compromissos com o Benfica, talvez seja diferente, porque nem todos somos iguais. Por exemplo, a minha mulher reclama de eu viver tanto o clube. Mas, repito, na relação não há nada a apontar.»
Decididamente, está alterado o ambiente que rodeia Jorge Jesus. O balneário e os resultados desportivos ditarão o futuro.



publicado por António Castro às 05:58
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Quinta-feira, 25 de Novembro de 2010
Polémica é o oxigénio de Mourinho

José Mourinho, sujeito a um inquérito em Espanha devido ao conflito com o treinador do Sporting Gijón, por acusações relativamente à equipa (sem vários titulares) que Manolo Preciado apresentou frente ao Barcelona, está de novo na mira de organismos do futebol.

Agora é a UEFA que, depois de receber o relatório do árbitro do encontro Ajax-Real Madrid (Liga dos Campeões) resolveu investigar os dois cartões amarelos apresentados a Sérgio Ramos e Xavi Alonso, por atraso em lançamentos da linha lateral, pouco antes do termo de um desafio já resolvido a favor dos espanhóis. Convinha à equipa merengue que os jogadores ficassem disciplinarmente «limpos» para os oitavos-de-final, já que o último encontro da fase de grupos, a realizar na capital espanhola frente ao Auxerre, nada decidirá.

Sem fazer  juízos de valor, tanto mais à distância, refira-se que sequência fotográfica publicada na imprensa de Espanha conduz à ideia de «cartões a pedido» feito de forma infantil.

Breve resume para quem não viu as imagens: no banco, Mourinho fala em segredo com Chendo, director desportivo, e, logo de seguido com o guarda-redes suplente Jerzy Dudek. Este sai do banco e, junto da baliza, fala com Casillas, que logo de seguida transmite um segredo a Sérgio Ramos e este acaba por falar com Xavi.

Para complicar a situação, numa primeira declaração, o guarda-redes confirma as instruções vindas do banco. Mais tarde conta versão diferente.

Gato escondido com rabo de fora, embora haja quem não considere a atitude dos jogadores, tantas vezes observada nos estádios, contra a ética desportyiva.

Seja ou não assim, aquela cena nem parece de Mourinho, pois sabe estar sempre sob a mira de fotógrafos e televisões. A polémica é, na verdade, o oxigénio do treinador português.

 



publicado por António Castro às 23:10
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Quarta-feira, 24 de Novembro de 2010
Encarnados envergonhados por Hapoel

A derrota do Benfica em Israel apresentou-se, em sentido figurado, como um «tsunami» na sequência do «sismo» da greve geral.

A noite constituiu um pesadelo para os adeptos da Luz e para alguns portugueses - raros, reconheça-se - que esquecem a rivalidade clubista nestas situações.

Deixando para os especialistas a análise e consequências do dia de protesto vivido em Portugal, abordemos o colapso dos encarnados perante uma equipa de valor mediano e que, em termos geográficos, nem devia participar nas competições da UEFA. Que alívio teria sido para Jorge Jesus...

Aliás, o treinador viveu, certamente, um dos piores momentos no Benfica, pois todos os responsáveis, a começar pelo presidente, tinham como dado adquirido a passagem à fase eliminatória da Liga dos Campeões e a renovação do título de campeão, sem esquecer as outras duas provas do calendário nacional. O desaire talvez os tornem mais comedidos e evitem prometer êxitos dependentes de um jogo sempre imprevisível, e de uma bola demasiado caprichosa.

Avaliar a exibição do Benfica como equipa e as incapacidades dos jogadores em Telavive, ou realçar o diferença de remates das duas equipas e dos falhanços das individualidades, tanto na defesa como no ataque, não conduz a outra realidade. Aquilo que conta são os três golos sofridos.

Compete a Jorge Jesus, isso sim, fazer uma análise profunda aos últimos acontecimentos - não apenas em Israel - e proceder a urgentes alterações. Para se aproximar do ritmo da época passada não pode ter em campo jogadores tacticamente perdidos, sem chama, sem capacidade de reacção, sem velocidade, enfim, conformados com o desenrolar dos acontecimentos.

Mesmo assim restará a dúvida sobre a recuperação da imagem a nível nacional. A internacional já não atingirá a ribalta, apesar de eventual presença na Liga Europa.



publicado por António Castro às 23:26
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Terça-feira, 23 de Novembro de 2010
Sonho continua

O Sporting de Braga conseguiu aquilo em que Domingos Paciência acreditara e fora neste bloque considerado como um estado de espírito demasiado optimista.

Arsenal e minhotos ofereceram durante a maior parte da partida um espectáculo pouco interessante. Os ingleses, mais empreendedores na maior parte do tempo, estavam convencidos que as suas camisolas chegavam para ganhar e preferiram ter a posse da bola nas linhas recuadas e ensaiar lances ofensivos através dos elementos mais velozes. Domingos Paciência não arriscou e à saída para o intervalo não parecia preocupado com o empate e o infrutífero domínio do adversário.

Alguma coisa mudou depois, desde um penalty perdoado ao Braga à atitude mais ambiciosa dos portugueses com o aproximar do final do encontro. Esforço recompensado pela noite inspirada de Matheus, marcador de dois golos, a manter o sonho de continuar na Liga dos Campeões.

Domingos Paciência provou que os seus jogadores podem fazer mais do que se tem visto no campeonato. Quanto ao objectivo final necessita de programar a calculadora para os resultados ideais de última jornada. Neste aspecto mantêm-se as dúvidas.

Jorge de Jesus também espera uma vitória do Benfica em Israel e uma escorregadela do Schalke na visita do Lyon. É sempre problemático fazer conjecturas sobre situações em que não se pode interferir. Por enquanto, apenas deve contar com o comportamento dos seus jogadores e esperar uma exibição ao nível dos melhores dias.



publicado por António Castro às 23:52
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Segunda-feira, 22 de Novembro de 2010
Do fado à utopia

«É possível ganhar ao Arsenal», considera Domingos Paciência na véspera do reencontro com a equipa de Arsène Wenger, agora no Estádio AXA em jogo da Liga dos Campeões. O técnico do Sporting de Braga não esquece a goleada (6-0) no Emirates Stadium, deverá ter a presença na Liga Europa garantida, mas sonha com mais. Continuar em prova obriga a uma conjugação de resultados nesta e na última jornada de fase de grupos em que também participam o Shakhtar Donetsk e Partizan de Belgrado.

O director desportivo Costinha ficou satisfeito com o sorteio de fase de grupos da Taça da Liga, dado defrontar adversários perto de Alvalade - até parece que o País é muito grande - e garante que o Sporting «quer ganhar a prova», apenas a terceira na escala de valores do calendário português. Vai mais longe: «Todas as competições são prioritárias. Enquanto for possível matematicamente, são todas para ganhar.»

Ao comentar a decisão da Irlanda pedir ajuda à UE e ao FMI para combater a crise, o primeiro-ministro José Sócrates foi peremptório:«Portugal não precisa de ajuda.» Frase proferida quando diariamente são conhecidos números cada vez mais gravosos.

Que pensar? Os portugueses libertaram-se, de repente, da tristeza intrínseca bem expressa no fado ou já denunciam sinais de perturbação mental?

 

 



publicado por António Castro às 23:33
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Domingo, 21 de Novembro de 2010
Taça esteve quase cheia

Hoje houve Taça. Qual delas? A Taça de Portugal, disputada há muitos anos, agora enfeitada com um «aditivo» que me dispenso de referir, pois não recebi qualquer contrapartida de publicidade. Ou foi a prova surgida há poucos anos, com um nome esquisito e que é mais popular na Inglaterra, embora seja adoptada noutros países, e dá pelo nome de Taça da Liga, em que participam clubes profissionais da I Liga e da Liga de Honra.

Devia pedir desculpa por esta pergunta, mas a responsabilidade não é minha. Os calendários surgem misturados, as diversasa eliminatórias distribuem-se, às vezes, por várias semanas, e só os peritos em puzzles são capazes de acertar à primeira.

Neste domingo, graças à cimeira da NATO - como lamento o prejuízo causado às televisões! - realizou-se a maioria dos jogos da eliminatória. «Tresmalhado» ficou o Benfica-Sporting de Braga, pois parecia mal passar do oito ao oitenta.

Na posse destes elementos cheguei à conclusão que se tatava da Taça de Portugal, cuja final se realiza tradicionalmente no Estádio Nacional, facto contestado por certos sectores mais provincianos, normalmente com origem no Norte.

Sinceramente, pelo que ouvi e li, melhor seria que se concedesse um descanso aos portugueses depois da azáfama dos dias anteriores e das emoções fortes de ver constantemente aquele que chamam o homem mais poderoso do mundo e a sua longa fila de serviçais.

A cimeira não teve novidades - tudo já estava tratado - e à Taça de Portugal também faltou qualidade.

A única diferença foi que no primeiro caso dizem que todos ganharam, e no segundo houve vencidos. Só que alguns dos vencedores - FC Porto e Sporting, por exemplo - pouco mais e melhor fizeram que os respectivos adversários. Apenas marcaram um golo, em qualquer dos casos com ajuda do... destino.   



publicado por António Castro às 23:15
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Sábado, 20 de Novembro de 2010
Vitória pode acabar no centenário

O presidente do Beira-Mar, há dias, anunciava que o clube não tinha dinheiro para organizar o encontro com o Benfica e, devido à penhora das receitas, e outras dívidas, não acreditava na sobrevivência do clube. Agora, os credores, antigos dirigentes, levantaram a penhora, e a situação tornou-se mais desafogada. Uma boa notícia, mas apensa por pouco tempo. Sem medidas drásticas e urgentes, voltará a perspectiva de o Estádio Mário Duarte deixar de ter futebol e desaparecer mais um clube.

O Vitória de Setúbal, quando deveria festejar com pompa e circunstância cem anos de existência, oferece outra má notícia. O residente Fernando Oliveira, em entrevista concedida ao diário A Bola, afirma: «A situação é muito complexa. Não digo que seja intransponível, mas... O Vitória não tem nada. Está na estaca zero, ingovernável». Acrescenta: «Se o nosso projecto não avançar, o Vitória acaba.»

Acaba aquele clube que vimos pela primeira vez vencer a Taça de Portugal, quando a equipa era treinada por Fernando Vaz, acompanhámos como jornalista a noite de festa em Setúbal: os jogadores na varanda da Câmara Municipal a serem recebidos em delírio pelos habitantes da cidade.

Senhores que mandam no futebol. O futuro não perdoará àqueles que contribuíram ou ficaram insensíveis ao rasgar da história.

 



publicado por António Castro às 23:35
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Sexta-feira, 19 de Novembro de 2010
Mourinho mostra a outra face

Maradona demonstra um afecto especial por José Mourinho, de certa maneira inexplicável, pois nunca se encontraram como jogadores e só nos últimos anos têm mantido conversas esporádicas.

O argentino foi um dos mais extraordinários jogadores do século passado e o português um modesto praticante com especial admiração pelas proezas do El Pibe

Maradona teve uma experiência pouco feliz como treinador, concluída, por enquanto, com a presença no Mundial da África do Sul, onde a sua selecção chegou como favorita e saiu vergada ao peso de pesada derrota infligida pela Alemanha. José Mourinho deu um ar de graça no Benfica e na União de Leiria durante alguns meses e «explodiu» no FC Porto, Chelsea e Inter.

As duas figuras do futebol mundial, cada uma na respectiva área, encontraram-se agora em Espanha e o futebolista da «mão de deus» foi ver um treino do El Especial, multiplicando elogios pelo trabalho desenvolvido pelo técnico dos merengues.

O momento mais expressivo e inesperado foi aquele em que José Mourinho ofereceu ao visitante uma camisola do Real Madrid com o número 1 e enternecedora dedicatória: «Me da vergüenza firmar una camiseta a Don Diego! Eres el número 1. Te adoro!»



publicado por António Castro às 23:35
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Quinta-feira, 18 de Novembro de 2010
A arte de gerir carreiras

As últimas informações apontam para o futebol grego juntar a Fernando Santos, agora responsável pela selecção, mais um treinador português. Jesualdo Ferreira também ficará na história do FC Porto, num plano ligeiramente mais modesto em termos de vitórias que o «engenheiro do penta».

Aliás, o «professor» não foi feliz quando saiu do Dragão e se esperava entrasse na reforma. O bichinho dos relvados foi mais forte e ter-se-á precipitado ao aceitar o convite do Málaga, equipa espanhola que não luta pelo título e não colocou à sua disposição os valores indispensáveis para Jesualdo Ferreira manter o estatuto que conquistou nos meios internacionais.

O Panathinaikos tem um historial no país e uma presença em provas internacionais bem mais relevante, mas o técnico português terá dificuldades em manter-se na ribalta europeia.

Assistir da bancada a um jogo do campeonato grego no fim-de-semana e logo na quarta-feira seguinte assumir o comando da equipa perante o Barcelona na Liga dos Campeões não se afigura a melhor maneira de começar um trabalho a exigir conhecimento profundo do balneário em todas as vertentes. Não conhece os cantos à casa, embora possa, certamente, contar com informações de Fernando Santos.

O novo patamar escolhido por Jesualdo Ferreira será diferente e mais elevado em relação ao Málaga, mas afigura-se que, mais uma vez, não acautelou a defesa do prestígio iniciado em Braga e consolidado no FC Porto.

Se estivermos enganados, seremos os primeiros a pedir desculpa por esta análise ao amigo de longa data Jesualdo Ferreira.



publicado por António Castro às 23:30
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Bento tranquilizou selecção?

 

«Acho que isso ficou demonstrado nos últimos jogos. Desde que tomou posse da selecção nacional temos construído bons resultados e acho que isso é o mais importante.»

 

João Moutinho (in site Mais futebol)

 

 

«Isso é evidente, não é? Nos três jogos com o Paulo Bento demonstrámos aquilo que sabemos fazer, que é jogar futebol, um futebol alegre, que o povo português gosta de ver. É isso que estamos a procurar fazer.»

 

Pepe (in site Maisfutebol)

 

 

São necessárias mais palavras?



publicado por António Castro às 04:00
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