O Athletic de Bilbau, depois da eliminar o Sporting das meias-finais da Liga Europa, já se encontra em Bucareste para enfrentar no jogo decisivo os compatriotas do Atlético de Madrid.
A referência a esta final da segunda prova da UEFA reporta-se a um questão alheia ao que pode acontecer no National Arena da capital da Roménia, relacionada com a personalidade de Marcelo Bielsa, treinador dos bilbaínos. O argentino, ao tomar conhecimento de que ficaria instalado num quarto presidencial ao preço de mil euros por noite, recusou ocupar as instalações e fez questão de ser alojado nas mesmas condições dos outros elementos do sector técnico.
Bielsa já demonstrara, por atitudes em Alvalade e conversas antes e depois dos dois jogos com os portugueses, ter uma concepção da vida muito própria, sem vaidade e sobranceria. Agora deu mais um exemplo de acompanhar, de acordo com o seu estatuto, os esforços para reduzir as despesas do clube.
O mundo estaria melhor se tivesse seguidores noutros sectores que passam ao lado da crise.
A carreira do Benfica e algumas reacções de desagrado em relação ao presidente e ao treinador são abordadas diariamente pela comunicação social, mas a avaliar por declarações do director-geral do futebol da Luz, uma parte dos objectivos estabelecidos foram cumpridos, embora houvesse «alguns amargos de boca».
António Carraça foi peremptório, há dias, numa entrevista concedida à TV do clube: «Se o Benfica prosseguir neste caminho, com a mesma filosofia e o mesmo projecto de reforço da sua imagem nacional e internacional, poderá competir pela conquista da Liga dos Campeões num curto período de tempo», apesar dos «orçamentos díspares entre o Benfica e os "monstros’" de Espanha, Itália e Inglaterra».
Confiança no presidente, no técnico e nos jogadores não poderia faltar no discurso do director-geral, para quem os problemas se centraram nos árbitros, que passaram a ter «critérios distintos para situações idênticas» em prejuízo do Benfica.
Como seria de esperar, houve outros elementos exteriores ao clube responsáveis pelo falhanço do título. António Carraça contesta as acusações de falta de apoio a Jorge Jesus, que «não fazem sentido» e apenas se justificam porque a comunicação social «necessita de polémicas, conflitos, guerrilhas, para vender jornais e revistas e abrir telejornais».
Só faltava esta velha desculpa!
Garantido na jornada passada com o empate do Benfica em Vila do Conde, o título do FC Porto foi festejado segunda vez, agora com o aliciante da entrega do troféu no escaldante ambiente do Dragão.
Cerimónia que antecedeu um encontro em que valeu ao treinador campeão Vítor Pereira os azares de Sá Pinto - expulsões de Onyeou e Polga, este ao provocar um penalty sobre James - e o poderoso Hulk, marcador da falta e, mais tarde, autor de um remate indefensável.
O técnico do Dragão disse ter assistido a um belo jogo, certamente a referir-se ao rendimento leonino durante a primeira parte, pois os portistas voltaram a ter dificuldades em termos ofensivos. Razão que explica o facto do primeiro golo ter surgido apenas ao 80.º minuto.
O Sporting hipotecou a remota possibilidade de chegar ao terceiro lugar, aquele na próxima temporada permite o acesso à pré-eliminatória da Liga dos Campeões, e terá de contentar-se com a Liga Europa.
O Braga viu-se aflito para garantir já aquela honrosa posição, pois os aveirenses apenas consentiram um golo de Custódio (56 m) no AXA, numa intervenção menos feliz do guarda-redes.
O Benfica teve a visita da "remendada" União de Leiria e apenas conseguiu um golo por Bruno César (21 m) para garantir o lugar imediato ao campeão.
Muito pouco para os adeptos, a denunciarem impaciência com os responsáveis do clube, através de vaias ao presidente e lenços brancos dirigidos ao treinador.
Quem anda nas andanças do futebol sabe que a medalha tem duas faces. O reverso é sempre menos agradável e pode pecar por alguma injustiça.
João Bartolomeu, presidente da SAD da União de Leiria, depois de todo o dia garantir que a equipa deixava de competir na I Liga e não defrontaria o Benfica, anunciou ao fim da tarde precisamente o contrário. «Vamos estar presentes no Estádio da Luz. A União de Leiria vai continuar com o futebol profissional», afirmou em Fátima, após reunião com o técnico José Dominguez.
Aliás, o presidente do clube Mário Cruz, também confirmara a intenção de desistência: «Não há qualquer hipótese de volte-face. O jogo é amanhã (sábado), os jogadores tiveram conhecimento do apelo de João Bartolomeu, ponderaram e não voltaram. Com os juniores, não vamos à Luz, não há condições para isso.»
Quem manda, afinal, na União de Leiria? Quem permite que gente desta tenha capacidade para dirigir clubes e SAD's que devem meses de salários aos jogadores?
Responda quem sabe e... quem deve!
Os clubes profissionais - os falidos ou aqueles que ainda conseguem crédito, seja de bancos, empresas cuja matéria-prima são os jogadores, ou milionários com participações no valor dos passes - voltam à carga.
Em nova assembleia da Liga reincidiram na aprovação do aumento de clubes nos dois campeonatos e vergaram-se ao veto da FPF com a aceitação de subidas e descidas através de uma liguilla para assegurarem a entrada em vigor do novo sistema na próxima temporada.
Curioso que na agenda de trabalho da magna (para alguns) sessão não contasse o caso da União de Leiria, aquele que mais preocupa, não apenas pela situação dos jogadores sem salários, mas pelas ameaças do presidente em abandonar de imediato o campeonato e, em consequência, alterar a situação de outras equipas.
Mário Figueiredo não considera preocupante esta situação, melhor dizendo, chantagem. Importante é cumprir a todo o custo a leviana promessa que o conduziu a um lugar que nunca deveria ocupar.
Querem mais? O setubalense Mourinho não é homem para desistir.
Neste período da minha vida, escrever não é trabalho. A própria profissão de jornalista, tal como tantas outras, obrigou-me - não a entidade patronal - a comparecer no jornal várias vezes no 1.º de Maio, pois a missão de informar é obrigatória e necessária em democracia, regulada por normas que concedam a possibilidade de escolha entre a ausência ou comparência, neste caso com a salvaguarda de direitos laborais.
Num blog dedicado ao futebol não será muito adequado entrar por outros caminhos, mas tudo o que se passou neste dia é inacreditável para não ficar registado nestas notas.
Apenas uma vez na minha vida assisti em Lisboa a comemorações genuínas do dia do trabalhador, graças ao espírito reinante no 25 de Abril de 1974. Poucos dias depois da Revolução dos Cravos foi possível congregar os portugueses de todas as classes sociais numa jornada de festa, solidariedade, enfim, de plena felicidade. Que saudades!
Com o passar dos anos, perdeu-se esse espírto, mas este dia sagrado do trabalhador de 2012 ficará marcado por actos jamais imagináveis. A falta de vergonha foi comum a políticos, empresários e compradores gananciosos. A horda que invadiu determinado supermercado não era composta pelos cidadãos mais penalizados por um Governo cego aos sacrifícios; os pobres não tinham 100 euros para fazer semelhantes figuras.
Com esta mentalidade, os portugueses serão sempre marionetas dos poderosos - políticos e patrões.
Um "furacão" passou pelo Dragão, arrasou o Beira-Mar e deixou menos margem de manobra para o Benfica, na expectativa de uma escorregadela dos portistas para se chegar ao primeiro lugar.
Os dragões voltaram a entrar no jogo a passo de caracol, mas o brasileiro Hulk, qual tornado, contribuiu decisivamente para colocar a máquina a funcionar em ritmo mais acelerado.
Ainda na primeira parte marcou uma grande penalidade. Depois do intervalo serviu Janko para o segundo golo. Quatro minutos depois aproveitou uma assistência de Maicon e bisou.
Os aveirenses já não tinham capacidade para reagir ao terceiro tento e, entretanto, Jorge de Jesus terá de aguardar pela desejada fífia do campeão.
Há muitos casos em que o melhor será esperar sentado...
O Benfica, afinal, não sofreu para somar os três pontos na visita do Marítimo. Além de ser mais forte, o adversário desiludiu, longe das promessas do treinador e de anteriores exibições.
A eficácia de Saviola e o génio de Aimar foram suficientes para colocar a equipa da Luz com vantagem de dois golos ao vigésimo minuto, graças também a Nolito, a figura do jogo, ao aproveitar da melhor maneira as solicitações daqueles companheiros e, na segunda parte, ao assistir Rodrigo e Bruno César para fecho do marcador.
Um golo de Sami sete minutos após o intervalo animaram os insulares, mais afoitos no ataque na sequência de duas substituições, a obrigar o guarda-redes Artur a mostrar a sua classe.
E foi tudo!
Muito pata Jorge Jesus: «O Benfica fez uma grande exibição. Não durante os 90 minutos, pois tivemos períodos menos bons... O Marítimo não saiu da sua área no primeiro quarto de hora. Marcámos dois golos e fomos para a segunda parte menos fortes. Sofremos um golo, perturbámo-nos e senti que tínhamos perdido intensidade no corredor central. Saviola deixou de fazer o que fazia, Aimar também, e por isso saíram. Fizemos quatro golos, num dos melhores jogos no estádio da Luz.»
O melhor terá sido não perder pontos...
Pedro Martins considerou: «Na segunda parte entrámos bem, reduzimos a desvantagem, e o jogo podia ter levado ao empate. Arriscámos com o 2-1 e sofremos mais golos. O Benfica ganha por 4-1 mas, paradoxalmente, o melhor em campo foi o Artur.»
Discurso para a plateia...
Paços Ferreira serviu de palco para tudo no encontro com o Sporting de Braga. O clube local esteve a ganhar durante cerca de 50 minutos, beneficiou da expulsão de um adversário, teve dois jogadores que também não concluíram o encontro, e viu Nuno Gomes marcar mais um golo e estragar-lhe a festa da vitória.
O empate também não foi nada que agradasse ao técnico dos bracarenses, agora mais corajoso a assumir objectivos. «Estamos em segundo, o nosso adversário tem menos um jogo e vamos continuar esta luta a três. A distância para o primeiro lugar é grande, mas ainda podemos conseguir o segundo lugar. Faltam três jogos importantes, nos quais queremos continuar a mostrar o que temos feito esta temporada», disse Leonardo Jardim num inédito discurso.
Desiludido estava Henrique Calisto, que a certa altura "comentou": «No comments.»
A arbitragem era a visada nesta palavras do técnico pacense. O secretismo nas nomeações, como se esperava, não impedem eventuais erros de arbitragem nem evitam críticas.
O Chelsea aplicou a receita, em dose reforçada, usada há pouco tempo na Luz. A preocupação dos londrinos foi manter o Barcelona enredado numa teia que lhe retirasse eficácia atacante e aproveitar qualquer oportunidade para marcar. Assim começou a cair o Benfica na Liga dos Campeões; assim conseguiu o técnico Roberto di Matteo colocar em causa a imagem de marca dos espanhóis.
O resto foi conseguido por Petr Cech, pelo poste da sua baliza, pela destreza de Ashley Cole a substituir o guarda-redes quase sobre a linha de golo, pela progressiva falta de serenidade do adversário.
E assim, depois de 14 meses, os catalães perderam na Liga dos Campeões com um golo de Drogba, implacável ao segundo minuto dos descontos da primeira parte, após receber inteligente assistência de Ramires.
Nada está decidido. Pep Guardiola já deu a entender que não abdicará dos tradicionais processos: «Devemos criar outras 24 ocasiões e marcar golo. Temos que trabalhar muito para isso. Perdemos com estes números. O Chelsea tem esta virtude que nós não temos.»
O italiano Roberto di Matteo limita-se a dizer: «Os jogadores mostraram coragem. Há 50 por cento de possibilidades de apuramento.»
Muita gente não pensará assim, pois duvida-se que os catalães tenham perdido o domínio do seu "carrossel", mesmo tendo pela frente, no sábado, o Real Madrid, em jogo de título.
Há dias, várias figuras do Bayern, com saliência para a sua antiga vedeta Franz Beckenbauer, consideraram que o Real Madrid era uma equipa acessível.
Já em pleno estádio de Munique, desapareceram dos balneários, antes do jogo, botas e camisolas de alguns jogadores merengues, cabendo a Cristiano Ronaldo o maior prejuízo (três pares).
Por fim, quando se pensava que o Real Madrid regressaria à capital espanhola com um empate a um golo, Gomez criou um "par de botas" a José Mourinho com a marcação do segundo tento quando faltava um minuto para expirar o nonagésimo da partida.
O técnico português considera que a desvantagem de um golo não torna impossível a recuperação, mas para isso alguma coisa tem de mudar na equipa espanhola em Santiago Bernabéu.
Nem individual nem colectivamente - com raras períodos do primeiro tempo - os ainda líderes do campeonato de Espanha foram uma sombra daquela equipa eficaz nas transições para o ataque, característica que lhe tem valido muitos golos e algumas goleadas; raramente anularam a movimentação do meio-campo alemão; dificilmente entraram na área contrária em flagrantes situações de golo.
Acresce a tudo isto que Jupp Heynckes não dispensou vigilância apertada a Cristiano Ronaldo e o português também não se mostrou inspirado em alguns livres. Valeu-lhe a assistência para Ozil, e assim os espanhóis ainda pensam no apuramento.
Não podem, porém, dar a iniciativa ao adversário nem permitir que Ribéry e Gomez, entre outros, consigam mostrar todas as potencialidades.
José Mourinho joga praticamente uma época numa semana, ao incluir o derby de sábado na Catalunha com Pep Guardiola antes da decisão da meia-final da Liga dos Campeões.
É a vida (bem paga) dos treinadores!
O Sporting resolveu, depois de uma entrevista concedida à Lusa pelo presidente Godinho Lopes, entrar em blackout.
A informação publicada no site do clube de Alvalade não especifica as razões desta atitude, mas certos meandros consideram que o "caso Cardinal", entre outros, ditaram esta decisão.
Ao longo dos tempos, vários clubes tem utilizado este expediente, atribuindo a responsabilidade a comportamentos da comunicação social.
Todos já compreenderam, no entanto, serem atitudes ou palavras dos dirigentes as verdadeiras causas. Prometem o impossível e revelam o que deveria ser reservado e depois queixam-se do ambiente por si próprio criado.
Que tristeza!
«Depois de terça-feira, tomaremos a nossa posição, que poderá chegar a medidas bastante drásticas, que não queremos enunciar, embora já estejam decididas. Fazemo-lo por uma questão de respeito, porque o processo está em desenvolvimento.»
O autor destas afirmações é o presidente da Oliveirense, José Godinho, supostamente em nome do denominado Movimento dos Clubes de Fátima, composto por todos os dirigentes que aprovaram em assembleia da Liga o alargamento do campeonato já na próxima temporada e decidiram "desportivamente" não haver despromoções.
Atropelos à ética e ameaças só podem estar associados a movimentos com nomes de malfeitores.
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